
Pigmentos naturais / Geotintas
Há alguns anos voltei a viver no interior de São Paulo, na zona rural onde passei minha infância e adolescência. Em meio à diversidade de plantas e árvores, aprofundei meus experimentos com tinturas naturais produzidas a partir de flores, frutos, folhas, caules e raízes.
Desde 2020, habitando também o interior da Bahia, a pesquisa se expandiu para os pigmentos minerais. A observação dos solos e formações geológicas da Chapada Diamantina despertou meu interesse pelas cores da terra e pelos processos de coleta, preparo e transformação da matéria.
Caminhar pelo território, observar texturas, veios e tonalidades, coletar pequenas amostras e transformá-las em pigmento tornou-se parte fundamental da minha prática. Cada terra carrega uma história própria, formada ao longo do tempo por processos geológicos, climáticos e humanos que moldam a paisagem.
Os pigmentos naturais que produzo — vegetais e minerais — são preparados manualmente e utilizados na criação de tintas, oficinas e pesquisas artísticas. Mais do que uma fonte de cor, eles representam uma forma de aproximação com o ambiente, revelando relações entre matéria, território, memória e criação.
A preparação das tintas é também um exercício de atenção: um convite para conhecer a origem dos materiais, experimentar suas qualidades e perceber a natureza não apenas como paisagem, mas como participante ativa dos processos criativos.
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